Pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 20, pelo Ministério da Saúde, revela que as cidades de Itabuna e Camaçari correm o risco de ter surto de dengue. Foram levantados dados dos 161 municípios no Brasil com maior risco para a transmissão da doença. Na Bahia, o estudo analisou a situação de 14 cidades.
As informações da pesquisa ficaram prontas no mesmo dia em que o secretário de Saúde do Estado, Jorge Solla, anunciou o Plano de Contingência para o combate à dengue. Um mês depois de ter recebido do governo federal R$ 9,5 milhões para o combate ao mosquito transmissor da doença, o Aedes Aegypti, Solla promete intensificar os trabalhos, inclusive no interior.
“Desde 1994 convivemos com epidemia de dengue no Brasil. E agora é um momento crucial no combate à doença. Em Itabuna, por exemplo, chegamos a ter 30% de infestação predial“, disse o secretário, em referência aos surtos no verão – época do ano mais propensa para o mosquito se proliferar.
Solla apresentou as ações de combate à dengue no auditório da União dos Municípios da Bahia, no Centro Administrativo da Bahia (CAB). Estiveram presentes no evento o secretário de segurança pública, César Nunes, e o vice-governador da Bahia, Edmundo Pereira. Na platéia estavam dezenas de bombeiros escalados para auxiliar nas ações de conscientização com a população.
PESQUISA - Batizada de Levantamento Rápido de Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), a pesquisa do Ministério da Saúde trouxe números positivos sobre o problema. Em 2007, 10 cidades baianas estavam em situação de alerta.
As 161 cidades pesquisadas foram escolhidas por terem o maior risco para a transmissão da doença entre outubro e a primeira quinzena de novembro. Fazem parte da relação as capitais, os municípios de regiões metropolitanas com população acima de 100 mil habitantes, além de áreas turísticas e de fronteira.
A amostra deste ano é maior do que a de 2007, quando os dados levaram em conta 2.130 locais de análise em 146 municípios. O resultado final na Bahia aponta cinco municípios com índices adequados (abaixo de 1% de infestação, com base na Organização Mundial de Saúde - OMS): Barreiras, Feira de Santana, Lauro de Freitas, Teixeira de Freitas e Vitória da Conquista.
Outras seis cidades estão em situação de alerta com índice de infestação entre 1% e 3,9%. Nessa relação encontram-se Alagoinhas, Ilhéus, Jequié, Porto Seguro, Simões Filho e Salvador.
Itabuna e Camaçari têm risco de surto por apresentarem índices de infestação acima de 4%. Já em Salvador, pelo menos 48,6% dos focos do mosquito foram encontrados em locais de abastecimento de água, como caixas d'água, tambores, poços e tonéis. O estudo pretende mapear de forma antecipada as regiões de maior risco.
Em nota oficial, a prefeitura de Camaçari informou que desde janeiro foram registrados 50 casos na cidade de 220 mil habitantes. O comunicado assegura que ações de combate têm sido realizadas e que todos os esforços serão feitos para evitar o surto.
Em 2008, dos 2.324 locais analisados, 1.344 (57,8%) apresentaram índice de infestação abaixo de 1%. Em 2007, o índice era de 53,8% no grupo de 2.130 espaços vistoriados. Sempre que uma área apresenta percentual de infestação abaixo de 1%, significa que há menos de uma casa com larvas do mosquito da dengue para cada grupo de 100. |